SOBRE

NOSSO TRABALHO E O VIII PRÊMIO ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO

A Alliance: Mania de Escrever Bem! sente-se extremamente honrada de poder ter feito toda a revisão das poesias vencedoras do VIII Prêmio Arthur Bispo do Rosário na categoria Literatura.  

O Prêmio Arthur Bispo do Rosário foi idealizado com um grande propósito: mostrar ao público trabalhos criados e produzidos por usuários de serviços  de Saúde Mental do estado de São Paulo. Todas as obras concorrentes, que envolvem as categorias Esculturas e Instalações; Pinturas e Ilustrações; FotografiasLiteratura; e Vídeos, são avaliadas e julgadas por profissionais experientes em cada uma dessas áreas.

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo organiza e apresenta as obras vencedoras que, nesta edição de 2018, estão expostas na Estação Sé do Metrô (São Paulo) até o final de maio.

O objetivo é demonstrar que pessoas portadoras de algum tipo de sofrimento psíquico podem se expressar através da arte, garantindo toda o potencial e a real liberdade de expressão.

O patrono do Prêmio é o sergipano Arthur Bispo do Rosário, diagnosticado como esquizofrênico paranoide, que viveu por cinco décadas na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, RJ. Apesar de todo o sofrimento da clausura em um hospício, o artista pôde contribuir para a história da arte brasileira e somar forças para a construção da Luta Antimanicomial no nosso país. 

No início dos anos 60, Arthur Bispo trabalhou como “faz tudo” em uma clínica pediátrica, onde morou isolado no sótão e desenvolveu grande parte de sua produção artística. Morreu na Colônia, espaço manicomialista, que representou seu asilamento e marginalização. Mas o silenciamento buscado por esse tipo de instituição foi irrompido por sua arte. Infelizmente, milhares de pessoas foram e ainda são presas e caladas nos manicômios do país, sem que possam manifestar seus sentimentos e capacidades por meio da arte ou qualquer outra forma de expressão. 

O VIII Prêmio Arthur Bispo do Rosário simboliza para o CRP SP o compromisso real com o direito à liberdade e dignidade humanas, princípios da Luta Antimanicomial.

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Imagem: Conselho Regional de Psicologia – São Paulo

Algumas poesias que revisamos

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Imagem: Conselho Regional de Psicologia – São Paulo
Poema
Imagem: Conselho Regional de Psicologia – São Paulo
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Imagem: Conselho Regional de Psicologia – São Paulo

Tomamos um cuidado extremo na revisão de todo os poemas. Cada alteração de vírgula, ponto e vírgula, ponto final, reticências foram cuidadosamente pensados para que não se interferisse em hipótese alguma no trabalho dos autores a fim de manter toda a carga de emoção e de afetividade com que escreveram suas obras. 

Até hoje, ao ler os poemas, nos emocionamos!

Como é possível que pessoas com problemas de transtornos mentais escreverem textos tão lindos, esculpirem trabalhos maravilhosos, pintarem telas belíssimas, tirarem fotos deslumbrantes e darem depoimentos emocionantes? Mas é para isso que serve a arte: para nos dizer que todo e qualquer ser humano é capaz de se expressar livremente e que tem de ter seu espaço garantido para essa manifestação. 

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Imagem: Conselho Regional de Psicologia – São Paulo

 

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Imagem: Conselho Regional de Psicologia – São Paulo

 

Confiram essas e outras obras de arte lá na Estação Sé do Metrô (São Paulo) Como eu disse, vai até o final de maio.

 

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ANSIEDADE: A MELHOR DEFINIÇÃO

A melhor definição que já vi sobre andiedade.

Acompanhem o texto.

“Este texto foi originalmente publicado no site Thought Catalog, por Kirsten Corley, e é, de longe, o texto mais simples, direto e esclarecedor que já li sobre o tema. A ansiedade, mal do século, doença que tem feito, ao longo dos anos, uma multidão de mentes cativas, é um mal a não ser desprezado, subestimado ou ignorado. É hora de encará-lo de frente. Você está pronto?

“O que realmente significa ter ansiedade

Vai além de simplesmente se preocupar. Ansiedade significa noites em claro, conforme você suspira e vira de um lado para o outro. É o seu cérebro nunca sendo capaz de desligar. É a confusão de pensamentos que você pensa antes da hora de dormir e todos os seus piores medos se tornam realidade em sonhos e pesadelos.

É acordar cansada mesmo que o dia só tenha começado.

Ansiedade é aprender como funcionar em privação de sono porque você só conseguiu fechar os olhos às duas da manhã.
É toda mensagem que você pensa ‘como fazer isso da forma correta?’. É duas ou três mensagens que você manda caso tenha feito algo errado. Ansiedade é responder mensagens de forma embaraçosamente rápida.

Ansiedade é o tempo que você gasta esperando uma resposta enquanto um cenário se monta na sua cabeça, questionando o que a outra pessoa está pensando ou se ela está brava.

Ansiedade é a mensagem não respondida que te mata por dentro, mesmo que você diga a si mesma ‘talvez ele esteja ocupado ou irá responder depois’.

Ansiedade é a voz crítica que diz ‘talvez ele esteja só te ignorando mesmo’. É você acreditar em cada cenário negativo que você cria.

Ansiedade é esperar. Parece que você está sempre esperando.

É o conjunto de conclusões inexatas que sua mente cria, e você não tem outra escolha a não ser aceita-las.

Ansiedade é se desculpar por coisas que nem precisam ser desculpadas.

Ansiedade é duvidar de si mesma e falta de autoconfiança.

Ansiedade é ser superatenta sobre tudo e todos. Você consegue dizer se alguém mudou de humor apenas pelo tom de voz da pessoa.

Ansiedade é arruinar relacionamentos antes mesmo deles começarem. Ela te diz ‘você está enganada; ele não gosta de você e vai te deixar’. E você acredita.

Ansiedade é um estado constante de preocupação, pânico e viver no limite. É viver com medos irracionais.

É pensar demais, é se importar demais. Porque a raiz das pessoas ansiosas é se importar.

É ter mãos suadas e coração acelerado. Mas por fora, ninguém percebe. Você aparenta estar calma e sorridente, mas por dentro é o contrário.

Ansiedade é a arte da decepção por parte de pessoas que não te conhecem. E das pessoas que te conhecem, é ouvir constantemente ‘não se preocupe’, ‘você está pensando demais’, ‘relaxe’. É sobre seus amigos ouvirem suas conclusões e não entenderem como você chegou nelas.

Ansiedade é querer consertar algo que nem problema é.

É o amontoado de perguntas que te fazem duvidar de si mesma. É voltar atrás para checar novamente.

Ansiedade é o desconforto de uma festa por pensar que todo mundo está te observando e você não é bem-vinda lá.

Ansiedade é tentar compensar e agradar demais outras pessoas.

Ansiedade é estar sempre no horário porque o pensamento de chegar atrasada te deixa em pânico.

Ansiedade é o medo de fracassar e a busca incansável por perfeição. E então se punir quando você falha.

É sempre precisar de um roteiro e de um plano.

Ansiedade é a voz dentro da sua cabeça que diz ‘você vai falhar’.

É tentar suprir as expectativas dos outros mesmo que isso esteja te matando. Ansiedade é aceitar mais do que você consegue lidar para que você se distraia e não pense demais em outros assuntos.

Ansiedade é procrastinar, porque você está paralisada pelo medo de fracassar.

É o gatilho que te faz ter um ataque de pânico.

É estar quebrada na sua privacidade e chorar de preocupação quando ninguém mais está vendo.

É aquela voz crítica dizendo ‘você estragou tudo’ ou ‘você deveria mesmo se sentir um lixo agora’.

Mas mais que qualquer coisa, ansiedade é se importar. É nunca querer machucar alguém. É nunca querer fazer algo errado. Mais que tudo, é o desejo de simplesmente ser aceita e querida. Então você acaba tentando demais às vezes.
E quando você encontra amigos que entendem isso, eles te ajudam a superar juntos. Você percebe que essa pode ser uma batalha que você enfrente todos os dias, mas é uma que não precisa ser enfrentada sozinha.”

Fonte: Revista Pazes

AULA MAGNA COM EVANILDO BECHARA

Aula Magna com o Prof. Evanildo Bechara na Universidade do Livro (SP)

A Universidade do Livro, pioneira nos cursos voltados à formação e ao aperfeiçoamento dos profissionais do mercado editorial, anuncia o início de seu ano letivo com uma palestra ministrada pelo Prof. Evanildo Bechara. A aula inaugural será no dia 21 de fevereiro de 2018 e apresentará o repasse crítico dos melhores caminhos seguidos para quem ensina e estuda a língua portuguesa.

Data(s)
21 de fevereiro de 2018

Público-alvo
Editores, assistentes editoriais, autores e futuros autores de livros para crianças e jovens, jornalistas, bibliotecários, professores, contadores de histórias, mediadores de leitura, estudantes e profissionais da linguagem em geral, interessados na linguagem, na língua e na literatura em geral, empreendedores e demais interessados.

Conteúdo
Repasse crítico dos melhores caminhos seguidos para quem ensina e estuda a língua portuguesa.

Objetivos
Apontar qualidades e defeitos na realização da tarefa de ensinar e aprender a língua portuguesa.

“Que honra poder assistir a uma aula como essa!”

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

 

TCC
Imagem: Shutterstock

É isso que você sente ao se lembrar de que a data de entrega do seu Trabalho de Conclusão de Curso está chegando e ainda precisa revisá-lo e formatá-lo por inteiro? Não se preocupe tanto! Entre em contato conosco, que vamos te ajudar!  

 

O SILÊNCIO NAS REDES SOCIAIS

“Nada é mais sujeito a desentendimentos do que a troca de mensagens curtas por escrito. Falta articulação textual a quem escreve e faltam elementos de interpretação de texto a quem lê. Omitem-se pontuações, em muitos casos não há frases completas, só palavras desarticuladas, limite final para muita confusão” (Nós, pessoas em silêncio – Carla Rodrigues).

Penso exatamente assim. E não é a análise de uma revisora e professora de língua portuguesa; é a análise da Evely mesmo, o que vai tornando as redes sociais cada vez mais antissociais.

Segue o texto na íntegra:

Havia um tempo em que os críticos da invasão dos telefones celulares nas nossas vidas reclamavam, muito justamente, do ruído exagerado das conversas na mesa ao lado, da invasão de privacidade ao contrário, quando éramos obrigados a ouvir confissões íntimas alheias, ou mesmo da falta de educação de interlocutores que trocavam sem a menor cerimônia a conversa pessoal por quem estava chamando no celular (hoje, esse privilégio de quem liga já é um simulacro em aplicativos capazes de falsificar uma chamada telefônica, dando ao dono do aparelho um pretexto para se livrar do chato à sua frente).

Mas aí vieram as mensagens de texto, o primado do whatsapp sobre o telefone e o e-mail , e o falatório excessivo produzido pela primeira geração de aparelhos celulares foi sendo substituído por cenas robóticas de pessoas fixadas nas telas dos seus smartphones, andando como zumbis pelas ruas enquanto digitam, gravam ou ouvem áudios, enviam ou reenviam arquivos, fotos, contatos. Escreve-se para não chegar à intimidade da voz, que supõe um tipo de troca marcada por seus lapsos, equívocos, ruídos e interrupções. Nada é mais sujeito a desentendimentos do que a troca de mensagens curtas por escrito. Falta articulação textual a quem escreve e faltam elementos de interpretação de texto a quem lê. Omitem-se pontuações, em muitos casos não há frases completas, só palavras desarticuladas, limite final para muita confusão.

Há uma geração inteira de jovens que prefere o envio de áudios sucessivos às longas conversas telefônicas que marcaram minha adolescência, incluindo o estranho debate sobre quem desligaria o telefone primeiro. Há uma geração inteira de jovens cuja troca de textos diários pode significar relações silenciosas, pautadas mais por emojis do que por palavras, com suas subjetividades agrupadas em hashtags cuja função é a redução do sujeito a sua expressão mínima.

O modo de comunicação das mensagens curtas de texto, se não chega a definir quem somos, na prática tem modificado a forma de nos relacionarmos na vida social, familiar, afetiva e profissional. Grupos de trabalho ou de família em whatsapp podem ser fontes de estresse ou de alegrias inéditas. E não adianta, como diz o filósofo Giorgio Agamben em “O que é o dispositivo”, acreditar na ideia simplista de que basta nos protegermos no uso das ferramentas. Hoje, um milhão de pessoas trocam por dia 55 bilhões de mensagens por whatsapp, indício de uma dominância da ferramenta de difícil superação apenas no modo de uso.

É verdade que todas essas observações de tom nostálgico já foram feitas em relação a outros mecanismos que, aos poucos, se tornaram obsoletos, o que me leva a pensar que a marca do nosso tempo contemporâneo não é tanto o envio frenético de mensagens de texto, mas a obsolescência previsível dos mecanismos de relação de troca entre as pessoas. Posso encontrar por aí um caminho para pensar a constância dos discursos de “fim do mundo” com o meu sentimento de que o mundo acaba cada vez com mais frequência. Para isso, preciso tomar um conceito específico de “mundo” como um conjunto de formas de vida conhecidas e, em alguma medida, previsíveis.

A cada vez que uma nova fronteira se rompe, que um novo uso do whatsapp se atualiza na vida cotidiana, mais essa combinação entre nostalgia e fim do mundo me invade. A naturalidade da substituição de (bons) e velhos hábitos causa perplexidade, mas não apenas. Provoca principalmente esse sentimento de que todas as barreiras conhecidas são passíveis de ser transpostas. Nessa minha sucessão de nostalgias, lembro com saudade do tempo em que o tom de voz da pessoa amada transmitia algo antes mesmo que houvesse linguagem, quando um simples “alô” já me dizia quase tudo que era possível saber sobre o seu estado de espírito.  Num livro sobre o trabalho de luto em relação à perda de muitos de seus amigos, “Chaque fois la fin du monde”, o filósofo Jacques Derrida diz que a morte de cada um deles declarava, a cada vez, o fim do mundo em sua totalidade insubstituível e infinita. Perdas cotidianas vão me lembrando da perda maior, do tempo que passa, do mundo que acaba um pouco todo dia, da saudade que se transforma em nostalgia, promovendo em mim e no mundo um silêncio que ainda pode nos matar.

Fonte: Nós, pessoas em silêncio.