O JEITINHO BRASILEIRO DE FALAR

O jeitinho brasileiro de falar (por Aldo Bizzochi)

Para todos aqueles com quem já tive o prazer de trabalhar (clientes e alunos) e que julgam ser o inglês um idioma bem mais difícil e complicado de se aprender do que a nossa Língua Portuguesa, deem uma olhadinha no texto a seguir do professor Aldo Bizzochi.

Nesse excelente artigo, Bizzochi, doutor em Linguística pela USP, explica que dentre as línguas ocidentais, o português é uma das mais difíceis de se aprender, mais até do que o alemão, por exemplo.  É óbvio que todas elas têm suas dificuldades e particularidades. Mas, se levarmos em consideração os aspectos gramaticais (número de tempos verbais, verbos abundantes e defectivos, duplos particípios, infinitivo pessoal e impessoal, colocação pronominal e por aí vai, onde as exceções, por vezes, superam as normas, veremos que o espanhol, o italiano, o francês ou o inglês são bem mais fáceis de se aprender do que o nosso próprio idioma, que se equipara, em termos de dificuldade, ao romeno e ao islandês.

É claro que ninguém fala exatamente como está escrito nas gramáticas. “Quem viaja ao exterior e entende e domina outras línguas perceberá nitidamente que a distância entre a linguagem coloquial e aquela que se aprende nas escolas de idiomas é bem menor do que no Brasil”, segundo o autor. 

O nosso jeitinho brasileiro de se comunicar é a tentativa de um povo formado pelas mais diferentes etnias, com os mais variados níveis linguísticos, costumes, de baixa escolaridade, vivendo em um país com sérios problemas de educação, saúde, convivendo em um mundo globalizado e altamente tecnológico,  de falar uma língua complexa, difícil e cheia de irregularidades, que causar dúvidas e constrangimentos até aos mais estudiosos sobre o assunto. 

Com tantas regras, exceções, jeitos de falar e de se expressar, com a obrigação de se falar o bom português vernáculo em situações formais, com a linguagem toda peculiar  e característica das redes sociais, dos modismos linguísticos, dos regionalismos, dos estrangeirismos, neologismos, esse tal jeitinho nada mais é do que o próprio jeito que o brasileiro tem de se virar; a mesma maneira em que ele contornar as dificuldades de formação e de valores moral e cultural deficientes dessa imensa massa populacional.   E diante de tantas dificuldades linguísticas, dá-lhe jeitinho brasileiro!!

Fonte: Aldo Bizzocchi é doutor em Linguística pela USP, com pós-doutorado pela UERJ, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da USP e autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume) e Anatomia da Cultura (Palas Athena).

 
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